Devaneios e afins.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Sobre lobas

não sei o que há de ser de lá
nesse Oriente que lhe escapou,
mas as lágrimas que eu ouvia,
repetia, sem entender seu mistério,
uma língua esquisita que se foi
como quase todo o resto
a não ser o que sobrou,
uns bilhetinhos de papel que ando a catar
por aí
e cá estou presa ao seu nome,
você, de quem só tenho uma vaga noção de tricô
bolo de chocolate com leite condensado
uma folhinha de manjericão no bolso
um cheiro que deságua na lembrança
de que sou loba e as lobas sofrem - você dizia -
elas têm muitos filhotinhos.

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