Devaneios e afins.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Sábado de sol

Havia uma festa em cada dia naqueles dias de corredores. De lembrar os passos feitos. De desfazer uma saudade. Levava a semana inteira regando a esperança de ser mais uma vez alvo e vítima de um sorriso besta. No sentimento soava como canção de amor, eu e meus dezesseis anos, meus olhos verdes minha tinta de cabelo meu aparelho meu negro acorde que ela não gostou e era tudo que eu tinha. E daí, se ela nem gostava de nada que eu gosto. A não ser uma nota que eu lhe abri. Dizia do meu amor. Ela não entendeu que eu passava o sábado a viver e a convencer espelhos de banheiro dos delírios do meu desejo. Simples e puramente assim. Pois o que havia de mais. Naquele sol de Villa-Lobos era o que servia para satisfazer a pira de diversão. Adolescência, entrega-me na mais óbvia contramão. Um cheiro quaisquer de álcool pele metal choro. E eu não chorei, nem uma lágrima sequer. É que eu nem sofria sabe, até gostava dessa história de viver em paz. Queria mesmo era saber de um pensamento em queda livre. Um amor atrás da porta.

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