Devaneios e afins.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Domingo de sol

Uma leve sensação de que a cabeça vai doer depois. Ele me dá a mão e sua risada. Engraçada, eu e ele procuramos uma sombra e rostos desconhecidos. Já nos bastam as saudades que carregamos. Uma máquina fotográfica talvez vá buscá-los na grama da pracinha, embaixo de uma árvore. As araucárias nos trazem ao mundo, esse que a gente vive e que não há em lugar nenhum. Sob a árvore deitados, repetimos mentalmente o ruído do dia. E eu lhe canto uma cantiga do Seu Renato, “eu moro com a minha mãe mas meu pai vem me visitar”. Mas de onde essa agora. É bonito, sim. Ele concorda, ahãm, e também canta, e por um momento é como se a gente tivesse existido desde sempre. Vamos embora. Cada passo é um calor a mais na cidade dos extremos. À noite, descobrimos toda a obra de Villa ali, naquele micro mundo maravilha. Lembranças que enrubescem trazem consigo uma vontade de dançar. Pergunto a ele se se arrepende de algo que tenha feito. Filosoficamente não. Mas concretamente sim. Entendo perfeitamente e me vejo naquele ano que passou. Foi-se. Não como o domingo, que eu tanto quero todo dia.

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