Devaneios e afins.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Baleias

Caminho na rua pedindo, só e comigo mesma, por um silêncio. E ele vem. Como uma onda que quebra por cima de um mergulho. Quando abre-se os olhos, já passou. Mas quantas ondas tem-se que mergulhar. A vida inteira feita oceano. E onde estão as baleias dos meus sonhos submersos, eu não sei. Ando a procurá-las, mas que coisa, só tem chão embaixo de mim. Olhe para o céu então, diria Deus. Ame o próximo como a ti mesmo e saiba perdoar. De novo uma onda. E de novo eu mergulho.
Há muita gente nesse país, que de tantas nações não se sabe nação. São linhas imaginárias de um território, linhas concretas de livros que se escreve, de histórias que se conta, de cifras que se rouba. Todo dia milhões de novas imagens, mas todos desconversam. Não é a isso que se presta a adorável ciência.
Ouço-os todos roendo. Os que adoro e os que eu detesto, roendo meus pensamentos. E eu cavo no meio dos meus porques motivos para seguir encarando os mesmos elevadores, as mesmas repartições vazias no reduto intelectual da cidade maldita. Os ecos dos meus passos nos espaços vazios, não os ouço mais. Alguns diriam que é uma benção, outros que é arrogância, egoísmo, ingenuidade, comodismo. Falar. Basta um silêncio, e fico bem com as minhas ternuras descabidas.
São as baleias que eu procuro. Uma apnéia existencial.

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