Devaneios e afins.
quinta-feira, 10 de julho de 2008
EU PERVERSO
Preste atenção ao que seus olhos lhe dizem. Uma imagem vale mais que mil palavras – vai dizer que nunca lhe disseram isso antes? Não, para variar, não há nada de novo nessa sabedoria do cotidiano. É só perceber a expressão dos olhos. O roçar das mãos. A visão sobre os detalhes do corpo. Parece até que chama atenção. Aliás, como dá atenção, você já percebeu? E esses sorrisos tão fáceis. Sorrisos de graça. Vendo você se cala, assim como quem tem medo de estar tendo um impulso primitivo, faz-me rir guriazinha tola. Desse jeito merece mesmo é ser chifruda. Logo virá aquela mesma conversa - são tantas as moças bonitas por esses caminhos da vida - e você chorando, ouvindo e sentindo o sangue fervendo, perguntando-se mas afinal o que sobrou de belo em você, você que se sujeita aos caprichos de quem te quer boneca, homens tolos que odeiam as próprias secreções. Nojo, nojo, nojo de toda essa limpeza, dessa casca brilhante cobrindo lixo, que se produz e se engole, a seco e com farinha, amor de menina você, e agora, vai parar na navalha também? Toma cuidado e começa logo a se armar. Linda ela. Gostosa, eles dizem, já disseram tantas vezes. Está aí em carne e osso, não é assombração, está viva, pode chegar a qualquer hora. É compromissada, aiaiai não sejamos ingênuas meu bem, olha essa cara de quem deseja! Está aí boquiaberto e você, só falta você elogiar o brilho dos cabelos dela. Vai logo vai. Difícil querer alguém nesses termos, com tamanha condição de pequenice. Burrice. Resta-lhe essa chance de despertar. Tem mesmo é que achar sua arma. E matar, matar esse desgraçado.
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