Devaneios e afins.
sábado, 27 de dezembro de 2008
Amor em festa
Cara de malandro. Sorriso sempre a postos. Cara de pau, propôs-me entrar na fila. Dei risada. A preferencial, é sua, meu bem. Amigo, segura que eu te seguro. E a gente só segurava cerveja e cigarros. Chamavam-nos belo casal, e a gente ria, nem éramos casal. Ainda. E você, que nem gosta de Beatles. Teve que ir sunshine. Eu também não gosto de pedras. Quase criei raízes, quando vi que eram quilômetros delas. Mas você não saiu do meu lado, e quase caiu comigo dentro daquele buraco. Depois do mangue que vi. Podia casar com você naquele exato momento. É por isso que tenho essa cara de boba setecentos e trinta dias depois. Nunca mais saiu de mim aquela expressão. Virou parte.
sexta-feira, 26 de dezembro de 2008
Elise

Desse jeito fica, de bom grado fadada, a uma só vocação. Bela e graciosa, a frágil perninha em passé. Eternamente a mesma música, roda, e roda de novo, e de novo, para sempre passé sobre o mesmo reflexo no espelho.
Olha lá a calcinha dela.
Dá para tirar ela daí, por favor? Dá. Também dá para fechar a tampa. Ah, você quer só ouvir. Mas essa música, meio chata né. Se preocupa não, logo acaba a corda.
Oh, que lindinha!
Coitada, sozinha.
É belezinha, vê se se atenta, que desse jeito não lhe restará outra condição fora o tédio de uma bailarina da caixinha de música.
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
dia de chuva
Tentei em vão arrancar-lhe um sorriso da face. Azeda. Percebendo-me inútil, afundei meus olhos de vergonha na calçada cheia de poças, olha lá, duas sombras de mãos dadas. Clareou-se então outra vez aquilo que, não sei como, sempre acaba perdido em meio ao descontrole dos nervos. De que adianta contar piada para alguém absorto em si, pensei, mas também de nada adiantou pensar. E esse eu nervoso. Não sei se perdi, ou se escondeu-se aquele carinho, ficou esquecido atrás de uma dor que não, não é a minha. Leva-me junto, maldita. Engole por inteiro essa que está. Assim, toda minha força virou silêncio. Qualquer sussurro é chance de abrir-se um buraco no mundo.
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
memória
Olha só que bela letra de amor. Mas olha só quem foi que inventou! E agora, vencedor? Ganhaste um tanto nessa vida. Mas e o encanto. Perdeu. Tal como cabelo esse seu palácio. Vê se lembra um pouco do meu também. Que nessa cabeça tem muito mais do que pêlo seu ingrato.
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
sexta-feira, 8 de agosto de 2008
No outro canto
Clama que é muito sacrifício continuar, terminar o que começou a fazer, afinal, todas as idéias são belas quando em nossas mentes, porém executá-las – ó, que inferno - é quase o mesmo que violentá-las, imagine só deixar suas criações se perderem nas mãos dos outros e você perder seu mérito, sua iluminação, suas horas de sono, seu tão sonhado refúgio, o conforto de ser de vez em quando inteligente e eficaz já que na maioria das vezes você não passa desse ser incompreendido, estigmatizado, vítima de tantas crueldades porque ninguém entende suas provocações. Eles só sabem responder com caras fechadas, maus olhos, risadas pelas suas costas, e você aí, esperando uma florzinha apenas, uma notinha de afeto, uma cantada lá daquele canto do bar. Mas nunca sobra para você. Eles sempre levam tudo embora. São hipócritas, reprimidos, iludidos, egocêntricos e sedutores interesseiros. Quem pode garantir que aquele dia foi sincero mesmo, se quando se olha no espelho tudo que você vê é uma herança de acontecimentos que levaram você pelos cabelos, culpa sua, que é isso, culpa minha? Vai, vai vivendo de compaixão.
quinta-feira, 10 de julho de 2008
EU PERVERSO
Preste atenção ao que seus olhos lhe dizem. Uma imagem vale mais que mil palavras – vai dizer que nunca lhe disseram isso antes? Não, para variar, não há nada de novo nessa sabedoria do cotidiano. É só perceber a expressão dos olhos. O roçar das mãos. A visão sobre os detalhes do corpo. Parece até que chama atenção. Aliás, como dá atenção, você já percebeu? E esses sorrisos tão fáceis. Sorrisos de graça. Vendo você se cala, assim como quem tem medo de estar tendo um impulso primitivo, faz-me rir guriazinha tola. Desse jeito merece mesmo é ser chifruda. Logo virá aquela mesma conversa - são tantas as moças bonitas por esses caminhos da vida - e você chorando, ouvindo e sentindo o sangue fervendo, perguntando-se mas afinal o que sobrou de belo em você, você que se sujeita aos caprichos de quem te quer boneca, homens tolos que odeiam as próprias secreções. Nojo, nojo, nojo de toda essa limpeza, dessa casca brilhante cobrindo lixo, que se produz e se engole, a seco e com farinha, amor de menina você, e agora, vai parar na navalha também? Toma cuidado e começa logo a se armar. Linda ela. Gostosa, eles dizem, já disseram tantas vezes. Está aí em carne e osso, não é assombração, está viva, pode chegar a qualquer hora. É compromissada, aiaiai não sejamos ingênuas meu bem, olha essa cara de quem deseja! Está aí boquiaberto e você, só falta você elogiar o brilho dos cabelos dela. Vai logo vai. Difícil querer alguém nesses termos, com tamanha condição de pequenice. Burrice. Resta-lhe essa chance de despertar. Tem mesmo é que achar sua arma. E matar, matar esse desgraçado.
Assinar:
Postagens (Atom)